Por que Visagismo?

Escrito por  Philip Hallawell
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Há quatro anos, no início de 2002, iniciei minha pesquisa sobre visagismo. Quase não havia referências sobre o assunto, especialmente no Brasil. Tive acesso a alguns livros, mas todos se limitavam à análise física de uma pessoa; formato do rosto e cor da pele. Conhecer a técnica de analisar o rosto é fundamental para poder exercer o visagismo. No entanto, pelas informações que tive sobre Fernand Aubry, o criador do visagismo, em 1937, era claro que se tratava de um conceito. Não é uma técnica.

O visagismo é uma filosofia de trabalho, que exige aprender novas técnicas, obter novos conhecimentos e mudar procedimentos. Essas mudanças são radicais e envolvem a quebra de paradigmas profundamente enraizados em todos os profissionais de beleza. Paradigmas são formas de pensamento que se tornam padrões ou modelos, que, por um lado, ajudam a organizar o pensamento e as ações, mas, por outro, dificultam a assimilação de novas idéias e limitam o pensamento criativo. A base do conceito de visagismo é que a beleza é a expressão de qualidades interiores de uma pessoa, com harmonia e estética. Um dos paradigmas é que é preciso ser bonito para ser belo e que é, portanto, somente uma questão estética. Por isso, leia de novo a frase e pense sobre seu significado: a beleza é a expressão de qualidades interiores de uma pessoa, com harmonia e estética.

Fernand Aubry disse: "Não existe mulher sem beleza, somente belezas que ainda não foram reveladas."

Portanto, para criar beleza não é suficiente pensar somente na parte estética, ou seja, em equilibrar as formas, ou corrigir traços físicos. É preciso expressar uma qualidade que a pessoa possui. Pensa-se primeiro em quem o cliente é, no seu estilo de vida, sua personalidade, suas necessidades particulares e profissionais e suas preferências. Depois é que se pensa no que ficará bonito.

Não é fácil pensar dessa maneira, porque todo mundo que tem senso estético logo pensa na imagem e não no que a imagem expressa.

Então, por que mudar o que está fazendo para praticar visagismo?

Hoje, três anos depois de lançar o meu livro Visagismo:harmonia e estética (Ed. Senac), o interesse no assunto continua a crescer. Poder oferecer ao cliente a criação de uma imagem personalizada e única é um grande diferencial e atende a uma das principais necessidades de todos: criar uma identidade autêntica por meio de sua imagem. Uma imagem que revela qualidades e que valoriza o que é único e especial em cada um – não só de seu físico, mas também do seu ser.

Nos últimos 100 anos houve muitos avanços tecnológicos que provocaram grandes mudanças na sociedade. Trouxeram maior mobilidade e a globalização, crescente inclusão social, maior escolaridade e informação, maior comunicabilidade e interação. Com essas mudanças, o homem contemporâneo percebe que tem o direito e a obrigação de fazer escolhas em todas as áreas de sua vida, algo inexistente há 100 anos para todos menos uma elite seleta. A grande maioria, no entanto, não está preparada para fazer essas escolhas e não encontra auxílio.

Essa realidade produziu o que é apontado com unanimidade como sendo a maior tendência social da atualidade: a costumização. Costumização significa oferecer produtos, serviços, educação e até propaganda de maneira personalizada, talhada aos gostos e necessidade individuais das pessoas. Esse é o grande desafio de todos.

Visagismo é costumização.

A costumização vai na contra-mão da massificação. Implica no abandono de fórmulas, regras e padrões e na adoção de procedimentos e atitudes que estimulem a criatividade.

Não há soluções prontas, porque cada pessoa é única. As tendências de moda precisam ser adaptadas para cada pessoa, e deve ser observado se são apropriadas. Significa livrar-se da tirania dos modismos, mas mantendo o direito de brincar com eles.

Conhecer a técnica de análise do rosto não faz do profissional um visagista, porque ele se mantém preso á estética da imagem, sem pensar no que a imagem expressa. É somente uma das técnicas utilizadas. Além disso, é preciso saber analisar o comportamento e a personalidade, saber explicar o que a imagem de uma pessoa expressa (e por que) e como a imagem a ser criada vai afetar seu comportamento e, conseqüentemente, suas relações com os outros e consigo mesmo. É necessário ter profundo conhecimento de como usar as linhas, formas, cores e outros elementos visuais para construir uma imagem que expressa a intenção do cliente e ter boa técnica para executar o trabalho.

O visagista aprende a fazer a consultoria, com o intuito de descobrir uma única coisa: o que a cliente deseja expressar. Com conhecimento da linguagem visual, técnica, sensibilidade e criatividade saberá como construir uma imagem que traduza essa intenção, com harmonia e estética.

Isso é criar beleza. Isso é visagismo.

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