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Visagismo: A Identidade e a Máscara

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Cada um se vê no seu rosto. Sua imagem pessoal expressa sua identidade, para sí e para os outros. Mas também é uma máscara. Essa identidade é criada desde a infância e modificada ao longo dos anos. Cada mudança na imagem pessoal afeta a pessoa psicologicamente, porque altera como se vê e é vista, e o que revela e esconde da sua personalidade. Influi no seu comportamento e nos seus relacionamentos.

Ao mesmo tempo, é no rosto que se manifestam todos os aspectos da personalidade, tanto positivos, quanto negativos. Os formatos das feições e até do rosto, as proporções, a cor da pele e as linhas registram fisicamente a maneira de ser de cada um.

Uma pessoa amarga, dura e intolerante desenvolve linhas duras no rosto, ao longo do tempo. Os lábios ficam finos, os olhos se estreitam e a boca cai nos cantos. No rosto estarão estampados todos os sinais de uma pessoa que se rendeu aos aspectos negativos de sua personalidade. Essa pessoa também se sentirá cada vez mais negativa, num círculo vicioso. Se este processo não estiver muito avançado é possível interrompê-lo com uma mudança na imagem, que evidencie os atributos positivos da personalidade.

O belo é a manifestação de qualidades da personalidade, através das características físicas. Olhos abertos, grandes e brilhantes são atraentes porque revelam uma pessoa atenta ao mundo à sua volta, emotiva, sensível e vivaz. O queixo firme revela uma personalidade forte e decidida. Feições delicadas, por outro lado, indicam meiguice e sensibilidade.

Os aspectos positivos da personalidade são, na realidade, o reverso dos aspectos negativos. Se fizer uma lista de todas as suas qualidades, ao lado das suas fraquezas, perceberá isso. O reverso da força é a agressividade, da meiguice, a timidez, da extroversão, a inconveniência, por exemplo. Muitas vezes, quando uma mudança da imagem revela uma qualidade, o aspecto negativo também se manifesta no interior da pessoa. Por exemplo, se desejar revelar a força de uma pessoa, ela pode se tornar agressiva se não souber lidar com essa força.

Por isso é preciso ter muito cuidado, especialmente quando a mudança é radical. O objetivo deve ser sempre direcionar a pessoa para que vivencie suas qualidades e transformar as fraquezas em qualidades.

A imagem de uma pessoa começa a ser desenvolvida a partir da infância, quando a criança começa a ter a noção de sua identidade e de sua individualidade. Até esse momento, sente que tudo que a rodeia faz parte de si e não se sente separada do mundo. Através da sua imagem, busca aprovação e aceitação e deseja diminuir a rejeição. No entanto, não é a principal responsável pela construção dessa imagem. Isso caberá aos pais, que a criarão de acordo com sua visão, não a dela. Também há a interferência do meio social, que ditará como deve aparentar, de acordo com os padrões da sociedade e do meio em que vive. Todas essas influências e a busca por aprovação fazem com que se desenvolva uma máscara, ou persona, tanto na imagem, quanto no comportamento.

A máscara não é, necessariamente, fingimento. Poderá ser meramente uma proteção, sem grandes implicações, se a imagem for positiva, ao revelar autenticidade e características positivas da personalidade. Se esse for o caso, a pessoa será vista como bela e sentir-se-á confiante e equilibrada.

Poderá, ao contrário, esconder aspectos importantes da personalidade dela, ou, até, ser totalmente artificial. Mesmo "bonita", num sentido superficial, sofrerá grandes conflitos, porque o rosto estabelecerá uma identidade falsa, que não representa quem é verdadeiramente. Ela se sentirá confusa, insatisfeita e sem rumo. Infelizmente, esse é o caso de muitas pessoas atualmente, que não souberam criar uma identidade própria, autêntica, no ser e na aparência, e, por isso, não se vêem como indivíduos, apesar de sentirem sua individualidade.

É preciso, no entanto, ter muito cuidado ao tirar uma máscara, ou alterá-la. Mudanças radicais podem ser altamente prejudiciais. Algumas pessoas até se apóiam em imagens negativas, como se fossem muletas. Outras se agarram a imagens de um passado nostálgico, mas que não corresponde mais à sua realidade. Isso acontece com algumas pessoas de meia idade, que persistem em ter uma imagem da adolescência, por exemplo. Há transformações que só podem ser feitas pouco a pouco, outras somente com o acompanhamento de um psicólogo. Lembre-se de que a imagem afeta o comportamento e a auto-estima, mas não trabalha problemas de fundo psicológico.

O visagismo ensina como ler a imagem da pessoa, e perceber sua personalidade. Ensina o que cada linha, formato, proporção e cor expressa e como afeta as pessoas emocional e psicologicamente. Ensina o profissional como ajudar seus clientes a estabelecer uma imagem pessoal que a identifique positivamente para o mundo e para si mesma, com um comportamento em sintonia com o melhor de si, e que seja uma máscara somente no sentido de não a deixar vulnerável.

E cada cliente expressará a beleza do melhor de seu ser.

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